Terça-feira, 07 de Março de 2017
Recessão pode ter chegado ao fim Recessão pode ter chegado ao fim
Brasília – O Instituto Nacional de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulga amanhã o resultado consolidado de 2016 do Produto Interno Bruto (PIB, a soma da produção de bens e serviços no país). As estimativas de analistas de bancos e corretoras apontam para queda de 3,5% a 3,6%, que, somada ao tombo de 3,8% de 2015, confirmará o pior desempenho na história da economia brasileira em dois anos seguidos. O alento, no entanto é que, depois desse mergulho ao fundo do poço, a retomada é esperada neste ano, de forma lenta.

Analistas ouvidos pelo Estado de Minas acreditam que em 2018 será possível vislumbrar um cenário mais alentador se o Congresso Nacional aprovar as reformas que o presidente Michel Temer vem prometendo, principalmente, a da Previdência Social. Sem ela, aliás, eles entendem que o PIB poderá voltar a cair em 2017 e no ano que vem.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, é categórico em relação a isso. “Neste momento, saber se o país vai conseguir voltar a crescer de forma equilibrada passa pela decisão do Congresso sobre a Reforma da Previdência. A não aprovação de uma proposta realista jogará o país no fundo do poço novamente. Assim, o PIB, que poderia crescer 2,6% no ano que vem com aprovação da reforma, passará por queda de 1% caso ela não seja aprovada”, afirma.

Para 2017, Vale prevê alta de 1% no PIB, mesmo com as condições adversas da política a das delações da Operação Lava-Jato, que podem comprometer a governabilidade do presidente Michel Temer. Essa taxa é o dobro do esperado pela maioria dos analistas do mercado financeiro, de retração de 0,5%, mas ele não se considera otimista. “Neste ano, o PIB no primeiro semestre terá um bom desempenho com forte peso do agronegócio e no segundo com os impactos positivos da queda de juros. A ideia, entretanto, é que 1% segue sendo uma recuperação medíocre”, afirma.

Na avaliação do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, o país deverá registrar crescimento de apenas 0,3% neste ano. Ele não descarta a volta da recessão se o governo não conseguir aprovar reformas estruturais para o Brasil. “Não só pode cair de novo em 2017, como isso terá um impacto ruim em 2018”, sustenta.

A economista Alessandra Ribeiro, sócia da empresa Tendências Consultoria, prevê expansão de 0,7% do país neste ano, mas considera que essa taxa pode ser menor se as incertezas no cenário internacional aumentarem, uma vez que o risco de radicalização pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não foi avaliado. Pelas previsões dos analistas ouvidos pelo EM, o PIB brasileiro pode ter caído entre 0,15% e 0,9% no quarto trimestre do ano passado.

Se o resultado se confirmar nessa variação, será o oitavo trimestre consecutivo de retração, frente aos três meses anteriores. O último trimestre do ano é sempre o de melhor desempenho do comércio, mas a queda confirma a tese de que o motor do PIB dos últimos anos, o consumo das famílias, fundiu e, mesmo se tiver alguma retífica, não terá mais o mesmo desempenho de outrora. Para este ano, a expectativa é que o consumo das famílias, que tem peso estimado em 60% do PIB, continue caindo, como prevê a Tendências Consultoria, ou tenha desempenho próximo de zero. Isso, devido ao alto endividamento dos brasileiros e também ao desemprego, que continua alto.

INFLAÇÃO E AGRONEGÓCIO A boa notícia é a volta de um pequeno crescimento na margem no primeiro trimestre de 2017, algo entre 0,2% e 0,4% na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Somado a isso, as estimativas de recuo da inflação para abaixo do centro da meta de 4,5% em 2017 têm se confirmado, o que também é positivo, apesar de ser um reflexo da redução dos gastos das famílias.

Na opinião dos economistas, a interrupção do ciclo de queda do PIB entre janeiro e março ocorrerá, principalmente, devido a dois fatores: a retomada da confiança de consumidores e de empresários e também do bom desempenho do setor agrícola, que, devido à expectativa de safra recorde, vai contribuir para a volta do crescimento neste ano cerca de 3% a 6%. “Esse resultado é possível devido ao bom desempenho do setor agrícola, mas é possível que esse crescimento não se sustente nos trimestres seguintes”, destaca Alessandra Ribeiro.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, lidera a lista dos pessimistas do mercado financeiro, ao prever alta de apenas 0,12% do PIB neste ano. “Minha preocupação é que a recuperação vai demorar e 2018 será um ano muito complicado. Não consigo descobrir o motor para esse crescimento que estão prevendo”, afirma.

Consumo ainda fraco em 2017

Especialistas em economia acreditam que o consumo continuará fraco em 2017. Alessandra Ribeiro, da Tendências, diz que o governo não poderá contar com essa ajuda na retomada do PIB tão cedo; tanto é assim que ela prevê queda de 0,6% neste ano. Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú Unibanco, também reconhece que, neste ano, o consumo não dará uma contribuição expressiva para o país, embora ele projete a mais alta taxa de crescimento em 2018, de 4%, mas isso devido à expectativa de queda das taxas de juros, principalmente, na esteira da redução da Selic, que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, também acredita que a retomada será lenta se depender da reação do mercado de consumo. “Se o item com mais peso não cresce na média do PIB, o resto tem que crescer muito acima da média, o que vai ser muito difícil”, afirma. Boa parte do crescimento virá do investimento, que representa 15% do PIB, ou seja um quarto do consumo.

“As famílias estão muito endividadas e como o mercado de trabalho é o último a se recuperar, algo que pode começar no segundo semestre, só conseguiremos ver a retomada em 2018”, diz Leal. A crise no comércio, com lojas fechadas ou imóveis colocando à venda ou para aluguel, dá a dimensão dessa dificuldade de recuperação da capacidade do consumidor de voltar ao caixa.

O economista e ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), engrossa o coro e diz não ter dúvidas de que o consumo não ajudará o PIB, assim como os investimentos, que ainda devem demorar para ser retomados. Logo, uma das saídas para a retomada será a queda dos juros, que vão ajudar a desalavancar as famílias e as empresas, que estão altamente endividadas.

Para Freitas Gomes, o Banco Central deveria acelerar a queda da Selic, já que a inflação está recuando e há estimativas cada vez maiores de que ela ficará abaixo do centro da meta neste ano. “Há um excesso de preciosismo do BC, que se comprometeu a baixar 0,75 ponto da táxa de juros, só que isso não foi suficiente para alavancar a economia. O problema é que os juros reais ainda estão muito elevados. Ele apenas freou a inflação, mas a economia poderia dar sinais mais satisfatórios se não houvesse um freio de mão nos juros”, critica o economista da CNC.

Sinais dos estoques

Na avaliação de Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú Unibanco, a queda dos estoques, que já está ocorrendo na indústria e no comércio poderá, pelo menos, compensar o impacto negativo que o PIB de 2016 exerce sobre o deste ano. Pelas contas do analista, se o estoque ficar estacionado tem condições de contribuir para o PIB em algo entre 0,6% e 0,7%. “Isso poderá neutralizar o carregamento estatístico de 2016.

A demanda interna e a externa devem ter uma contribuição bem menor do que nos últimos anos. Na média, ao longo dos últimos anos, a contribuição da variação de estoque era zero, mas neste ciclo, poderá voltar a contribuir, como ocorreu em 2010 (quando o PIB cresceu 7,5%), que foi de dois pontos percentuais”, afirma. Para ele, o crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano será puxado essencialmente pelo setor agropecuário, que deverá crescer em torno de 6% em 2017.
Fonte: Estado de Minas
Tags: Economia, Recessão
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