Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
Crise afeta o comercio varejista de Petrópolis-RJ Crise afeta o comercio varejista de Petrópolis-RJ
A crise do varejo se acentuou em 2016 e fez com que lojas fechassem as portas em todo o Brasil. Petrópolis também sofre o problema. A cidade teve 474 fechamentos de empresas comerciais no ano passado, segundo a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja). Em todo o país, o varejo registrou o fechamento de 108,7 mil lojas com vínculo empregatício, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Esse é o pior resultado da série histórica, que começou em 2005.

De acordo com dados da Jucerja, o número de fechamento de empresas comerciais em Petrópolis aumentou de forma brusca nos últimos dois anos, especialmente no ano passado.

Em 2014, foram 244 fechamentos. A quantidade salta para 326 em 2015 e pula para 474 em 2016. Ou seja, o ano passado teve aumento de 45% no número de empresas que encerraram os negócios. Enquanto isso, o número de aberturas de empresas continua estável acima de 800 ao ano. Mas, por causa dos fechamentos, o saldo total de novas empresas na cidade, que nos anos anteriores ficava acima de 600 comércios, caiu drasticamente para 424 novos negócios em 2016.

Mesmo esses números são menores do que o real fechamento de lojas. Isso porque muitos empresários fecham as portas, mas não encerram as empresas, porque têm esperança de que as circunstâncias melhorem. De acordo com a Jucerja:

“Houve um grande número de fechamento de lojas, o que não significa fechamento de empresas na mesma proporção, normalmente o empresário fecha a loja e aguarda um pouco os sinais da economia, para fechar ou não sua empresa”.

Em Petrópolis, os corretores relatam que existe dificuldade em alugar imóveis comerciais fora de pontos privilegiados, e que grande parte dos novos estabelecimentos não conseguem se manter na crise. O presidente da Associação de Corretores de Imóveis de Petrópolis (Ascip), Jairo do Carmo Machado, diz que, além disso, várias lojas estão fechando as portas devido à dificuldade de se manterem:

– O que está acontecendo hoje é que os comerciantes mais antigos estão entregando os imóveis e fechando as portas devido à dificuldade. São proprietários de mais idade, que já tem a vida estruturada e avaliam que não dependem mais desses negócios. Outros que abriram há pouco tempo, um ou dois anos, não aguentaram.

O presidente da Ascip diz, porém, que os melhores pontos ainda são atrativos, e quando um negócio fecha nesses locais, outro acaba alugando o imóvel.

– Ponto muito bom tem dificuldade, mas não tanto. Quando tem que alugar às vezes tem até que diminuir um pouco o preço, mas acaba conseguindo – afirma Jairo.

O culpado, ao menos na opinião do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, Luiz Felipe Caetano da Silva e Souza, é a crise econômica. Ele diz que a recessão afeta a todos no país, e as empresas em particular.

“O fechamento de lojas, o encerramento das atividades empresariais acaba por atingir mais seriamente aqueles empreendimentos mais jovens e, naturalmente, de estrutura mais frágil, enquanto outras empresas mais estruturadas, de um modo geral, conseguem suportar os dias mais turbulentos”, avalia o presidente da CDL.

“O que se espera”, afirma Luiz Felipe, “é que essa tempestade passe logo para que a atividade comercial se normalize, as empresas sobreviventes possam reerguer-se e que novamente se abram janelas de oportunidade para as empresas mais jovens”.

Rua Teresa: maior problema é aluguel
Na Rua Teresa, os lojistas estão tentando se articular para convencer os proprietários a baixar os preços dos imóveis. Muitos negócios fecharam na rua nos últimos anos e a presidente da Associação da Rua Teresa (Arte), Cláudia Pires, diz que o maior problema dos lojistas é o valor alto dos aluguéis.

– É nosso pior problema. Mais do que a baixa nas vendas. Alguns proprietários não estão tendo a consciência de que é necessário deixar de ganhar um pouco para que todos ganhem. É isso que nós estamos fazendo. Os preços estão mais baixos nas lojas. Nós ganhamos menos e vendemos mais. É melhor ter menos lucro do que não ter nada – avalia a lojista.

Ela diz que a associação está em constantes conversas com a prefeitura e pretende dialogar mais com os proprietários para convencê-los de que os aluguéis da Rua Teresa, que atualmente podem chegar a custar R$ 9 mil mensalmente, precisariam ser reduzidos.

– Não estamos há 20 anos, quando a Rua Teresa vendia qualquer coisa que se colocasse aqui. Éramos o maior pólo de malhas do Brasil. Hoje, surgiram outros que competem com a gente – argumenta Cláudia Pires.



Explicando a crise do varejo:

O Varejo passa por uma das mais intensas crises dos últimos anos. A inflação alta e dificuldade de crédito reduziram vendas. As lojas fecharam, aumentando o desemprego no setor e criando um ciclo vicioso. Quatro dados revelam o tamanho do problema.

A inflação oficial, divulgada pelo IBGE, fechou 2015 com 10,6% e 2016 com 6,2%. A inadimplência atinge 58,3 milhões de brasileiros, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). De acordo com o órgão, são muitos os brasileiros que não conseguem pagar as contas, principalmente de cartões de crédito, o que faz com que os bancos aumentem os juros para cobrir os prejuízos. Assim, os consumidores param de comprar a prazo e o consumo despenca.

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o varejo fechou 2016 com queda acumulada de 6,2%. É o pior resultado do setor desde o início da série histórica, em 2001.

Sem vendas, as lojas começam a demitir, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o número de postos de trabalho formais no comércio varejista caiu em 1.061 vagas ao longo de 2015 e 2016 em Petrópolis. Isso representa quase um terço da queda total de empregos. No Brasil, a queda foi de 397,4 mil postos no varejo, no mesmo período, ou 13% da redução de vagas do país. Nessa série, 2015 foi o pior ano desde 2004, quando os dados começaram a ser compilados. Houve fechamento de 175 mil postos de trabalho.

Sinais de melhora

De acordo com a pesquisa da CNC, a queda do número de lojas foi menos acentuada no segundo semestre do ano passado, o que pode significar que a economia começa a se recuperar, segundo a confederação. Mesmo assim, é uma melhora frágil. O economista da CNC, Fabio Bentes, disse que 2016 “foi um ano para o varejo esquecer, mesmo”:

“Um ano em que o bolso do consumidor andou bastante surrado pela inflação alta, pela restrição ao crédito e pelo medo do desemprego, que acaba afetando as compras a prazo”, afirmou. Ele desta também que o comércio varejista “é um setor intensivo de mão de obra”.

O economista diz que a redução no volume de comércio, revelado pelo IBGE, tem relação direta com a redução do número de lojas.

“A falta de dinamismo no mercado de trabalho e o crédito mais caro e restrito explicam parte significativa das perdas de vendas nos últimos anos. E o termômetro mais dramático da crise que ainda assola o setor é o número recorde de lojas que fecharam as portas ano passado”, avalia Fábio Bentes.
Fonte: A Voz de Petrópolis
Tags: Crise, Comércio, Varejo, Petrópolis
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