Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016
Varejo só volta a deslanchar na metade de 2017 Varejo só volta a deslanchar na metade de 2017
O comércio varejista vai precisar exercitar a paciência em 2017 porque a retomada do consumo não deve ocorrer tão cedo.

Na análise de Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apenas no segundo semestre do ano que vem é que será possível experimentar uma tímida recuperação nas vendas.

Solimeo participou do 17º Congresso da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), que reuniu mais de mil participantes nesta segunda e terça-feira (22/11).

“A massa salarial caiu 4% e os juros, mesmo que sejam reduzidos, dificilmente ficarão abaixo de 12% em 2017, o que inviabiliza o consumo via crédito. Assim, é difícil imaginar que o em reação rápida do comércio”, afirma Solimeo.

É preciso lembrar que o país possui hoje 12 milhões de desempregados, que só voltarão ao mercado de trabalho quando as empresas retomarem a confiança.
Houve um momento de expectativas positivas por parte dos empresários, quando Michel Temer assumiu a presidência após o impeachment de Dilma Rousseff. Mas nos últimos meses, a confiança estacionou.

Solimeo lembra que, quando o novo governo assumiu, as previsões da ACSP eram a de que ao final deste ano o varejo conseguiria empatar o resultado de vendas obtido em 2015. Mas a realidade é outra.

Hoje, após revisões, a estimativa é a de que o varejo encerre o ano com queda de 6% na comparação com 2015.

“Era mais esperança que confiança. Agora, tanto empresários quanto consumidores aguardam medidas concretas”, diz Solimeo.

Uma dessas medidas seria a aprovação da PEC do teto dos gastos, que estabelece limites para o governo manobrar o orçamento.

Essa proposta, que já foi aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados, se de fato passar a vigorar, permitirá ao Banco Central reduzir os juros sem receio.
“O Banco Central só reduz os juros caso o governo sinalize que está disposto a reduzir os gastos públicos, e a PEC dá essa sinalização”, afirma o economista da ACSP.

O governo precisaria mostrar ainda mais serviço, segundo ele, aprovando medidas que facilitem a terceirização, os contratos temporários e outras ações que flexibilizem o mercado de trabalho, permitindo assim que as empresas voltem a contratar.

Solimeo destacou ainda a necessidade da retomada dos investimentos em infraestrutura, que hoje só seria possível por meio de Parcerias Público Privadas (PPPs), uma vez que o governo não tem mais dinheiro. O investidor, porém, só colocará dinheiro no país se encontrar estabilidade.

É justamente pela via do investimento e das exportações que Solimeo acredita que a economia voltará ao rumo, e não pelo caminho do consumo, que iria se recuperar em um segundo momento, quando as contratações voltassem a crescer e a renda a aumentar.

“Se tudo isso acontecer, em 2017 poderemos ter um crescimento muito modesto na economia. Para crescer mais, precisaríamos de reformas muito mais amplas”, disse Solimeo.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Em meio à recessão, é possível encontrar alguns oásis de prosperidade. O interior de São Paulo traz exemplos interessantes, como o do município de São João da Boa Vista, distante 200 quilômetros da capital, que nos últimos anos viu surgir um polo tecnológico e diversas universidades.

Segundo Antonio Baesso Jr., presidente da Associação Comercial e Empresarial (ACE) de São João da Boa Vista, houve grande investimento da prefeitura no parque industrial do município, o que estimulou o ingresso de diversas empresas, que ajudam a aquecer o mercado local.

Uma dessa empresas é a Inpaer, que produz partes de aeronaves e pequenos aviões. Na esteira, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou na cidade o primeiro curso de engenharia aeronáutica, formando um pequeno polo tecnológico na região.

Outras universidades chegaram a São João da Boa Vista com cursos de medicina, o que levou muitos jovens para a cidade. E isso tudo acabou estimulando o varejo local. “Nossas vendas irão fechar o ano em patamar parecido com as de 2015. Começamos o ano com queda, mas depois de abril, o comércio se recuperou”, disse Baesso Jr.

Algo que também tem estimulado as vendas em São João da Boa Vista foi a adaptação feita no horário de funcionamento do varejo.

Enquanto as lojas da maioria das cidades do entorno fecham ao meio-dia aos sábados, em São João elas ficam abertas até às 18 horas. “Esse foi um diferencial, conseguimos atrair pessoas de fora para a nossa cidade”, disse o presidente da ACE.

VÁRIAS FRENTES

Em um período de crise, quanto mais diversificada é a economia de uma região, menos ela irá sofrer. É assim que pensa Tânia Fukusen Varjão, presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), e esse é um diferencial que ela vê em sua cidade.

“Temos uma indústria bem desenvolvida e a agricultura forte. Com isso conseguimos superar melhor a crise, porque assim há um equilíbrio econômico melhor. Se um setor passa por dificuldade, o outro compensa”, afirma Tânia.
E uma economia forte, acaba atraindo empresa fortes. Nos últimos dois anos, apesar da recessão do país, grandes redes, como as Lojas Cem e o atacadista Makro, instalaram lojas em Mogi.

A chegada de grandes redes a cidades do interior tem sido uma constante, o que, segundo Eduardo Carvalho, diretor da Associação Comercial e Industrial de Mococa (ACIMococa), acaba contribuindo para que o comércio local se fortaleça. E isso por várias frentes.

Além do estímulo à economia local, as grandes redes criam uma concorrência que estimula os lojistas locais a se aprimorarem para não perderem mercado. “Nosso grande desafio hoje é estimular o profissionalismo nas empresas da região”, disse Carvalho.

A realidade do varejo hoje é de ruptura do estoques e falta de capital de giro. “Sem estoque e dinheiro para investir, é difícil segurar o cliente, que busca alternativas, como as compras pela internet, em cidades vizinhas ou em redes mais estruturadas”, lembra o diretor da ACIMococa.

Não é possível falar que a crise passa ao largo de Mococa, longe disso. No início do ano, a Delphi, gigante do ramo de autopeças, fechou sua unidade na cidade, comprometendo bastante a economia local.

Mas segundo Carvalho, em vez de esperar que tempos melhores cheguem, a reação das empresas de Mococa foi investir em treinamento e capacitação das suas equipes.
Fonte: Diário do Comércio - SP
Tags: Varejo, Vendas, Comércio
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