Quinta-feira, 03 de Março de 2016
Varejo de material de construção tem desempenho estável em fevereiro Varejo de material de construção tem desempenho estável em fevereiro
As vendas no varejo de material de construção ficaram estáveis no mês de fevereiro, com relação a janeiro de 2016. Na comparação com fevereiro do ano passado, o desempenho ficou 2% abaixo. Já no acumulado do ano, a retração foi de 4%.

Os dados são do estudo mensal realizado pelo Instituto de Pesquisas da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), com o apoio da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Instituto Crisotila Brasil, Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer) e Sindicato Indústria Artefatos de Metais Não-ferrosos de São Paulo (Siamfesp). O levantamento ouviu 530 lojistas, das cinco regiões do país, entre os dias 23 a 29 de fevereiro. A margem de erro é de 4,3%.

Segundo a pesquisa, os resultados apresentados no mês foram diferentes nas cinco regiões do país. O Centro-oeste, o Norte e o Nordeste, por exemplo, tiveram crescimento de 18%, 10% e 4%, respectivamente. Já o Sul e o Sudeste registraram retração de -2% e -5%.
– Esse é um comportamento atípico do consumidor, mas que já mostra que, em algumas regiões do país, os clientes não estão mais conseguindo adiar as obras. Várias áreas do Norte e Nordeste tiveram chuvas volumosas em janeiro, a mesma coisa no Centro-oeste, onde as chuvas chegaram mais no fim do mês e acabaram piorando a situação daquela infiltração no teto, na parede, ou mostrando que aquela telha quebrada não pode segurar mais tempo. É natural que o consumidor adie obras em períodos de crise, mas reforma não é algo que se pode adiar por muito tempo – declara o presidente da Anamaco, Cláudio Conz.

Para ele, o feriado do Carnaval, que diminuiu o número de dias úteis em fevereiro, também influenciou o resultado das vendas.
– Historicamente, sempre temos um início de ano mais lento, pois muitas escolas só voltam as aulas em fevereiro e março. Criança em casa é um outro fator que atrapalha a reforma – completa.

No levantamento por categorias, cimento foi o que apresentou resultado mais positivo, com crescimento de 4% no período, seguido de revestimentos cerâmicos e tintas (2%), louças e metais sanitários (1%). Fechaduras e ferragens apresentaram índices muito próximos de janeiro e fecharam o mês com desempenho estável. Já telhas de fibrocimento retraíram 6%.
Os lojistas entrevistados acreditam que vão recuperar parte das vendas já em março.
– Centro-oeste e Nordeste foram as regiões mais otimistas, com 65% e 51% dos entrevistados afirmando que vão vender mais do que em fevereiro. Com isso, essas regiões também estão mais propensas a contratar novos funcionários no período – explica Conz.

O estudo também revelou que, desde janeiro de 2015, prevalece o pessimismo do setor com relação às ações do governo.
– Ainda assim, 27% dos lojistas pretendem fazer novos investimentos nos próximos 12 meses – completa o presidente da Anamaco.

O varejo de material de construção fechou 2015 com retração de 5,8%, na primeira retração registrada pelo segmento nos últimos 12 anos. A Anamaco, no entanto, espera que 2016 seja um ano de recuperação.
– Sabemos que o primeiro trimestre será difícil, mas que, a partir de abril e maio, temos boas perspectivas de crescimento. A expectativa inicial é a de fecharmos 2016 com faturamento 6% superior ao de 2015 – finaliza Conz.

A Anamaco também informa que está finalizando os estudos para alterar o método de cálculo do faturamento do setor, em razão das novas medições introduzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seus índices. Um estudo prévio, a ser finalizado em março, apontou que o varejo de material de construção teve um faturamento de R$ 115 bilhões em 2015.

Alta de apenas 0,05% em SP é resultado da baixa atividade da construção civil
O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil do estado de São Paulo nas obras incluídas na desoneração se manteve estável com leve alta de 0,05% em fevereiro, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). No período, o CUB representativo da construção paulista (RN-8) ficou em R$ 1.145,68 por metro quadrado. Em 12 meses foi apurada alta de 4,82%.

Dentro da composição do indicador, os custos médios com materiais de construção subiram 0,06% em fevereiro, enquanto os com mão de obra aumentaram 0,04% e os administrativos indicaram estabilidade.
– A estabilidade do CUB reflete a baixa atividade da construção e, consequentemente, a reduzida demanda por insumos, de um lado, e a queda do nível de emprego no setor, de outro. Não se vislumbra uma mudança neste cenário nos próximos meses – comenta o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan.

Nas obras não incluídas na desoneração da folha de pagamentos o CUB também apresentou acréscimo de 0,05% em fevereiro, totalizando R$ 1.232,70 por metro quadrado.

Na mesma base de comparação, foi registrada alta de 0,06% nos materiais de construção, acréscimo de 0,04% nos custos com mão de obra e estabilidade nos administrativos. Em 12 meses, o indicador apresentou alta de 4,95%.

Em fevereiro, nenhum insumo da construção pesquisados pelo SindusCon-SP registrou elevação superior do IGP-M, que no período subiu 1,29%.
Fonte: Monitor Digital
Tags: Varejo, Material de construção, Vendas
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