Terça-feira, 27 de Outubro de 2015
Queda da renda do consumidor e hábito do desapego impulsionam brechós Queda da renda do consumidor e hábito do desapego impulsionam brechós
Em tempos de orçamento apertado, o hábito do consumidor de reciclar aquela roupa que já não vinha sendo usada com frequência ganha força na troca do figurino e aos poucos mais brasileiros abandonam o preconceito de comprar peças usadas. Sorte para o comércio de usados, os populares brechós, agora estimulados, a despeito da crise econômica por que passa o país. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram aumento, desde janeiro, de 8% do número de empresas que vendem artigos usados. A expansão é observada tanto no ambiente das lojas físicas quanto no mundo da internet. Segundo levantamento da Loja Integrada – plataforma para criação de lojas virtuais –, o universo de empreendimentos que comercializam itens usados cresceu 54% neste ano, em relação aos registros de 2014.

“Ganham o empreendedor que terá investimento inicial praticamente nulo e o consumidor, que poderá comprar um bom produto por um valor cerca de 80% mais acessível”, afirma Wilsa Sette, coordenadora nacional de Varejo da Moda do Sebrae. Ela destaca que a procura de profissionais por técnicas para tornar o negócio mais competitivo no ramo subiu nos últimos anos. Tanto é assim que o comércio varejista de artigos usados brasileiro avançou 210% nos últimos cinco anos em número de pequenos negócios, que passaram de 3.691 em 2007 para 11.469 em 2012. Os pequenos empreendimentos são classificados com faturamento até R$ 3,6 milhões por ano.

“É um mercado que se movimenta bastante, as pessoas podem trabalhar da própria casa”, diz Wilsa Sette. “O negócio também chama a atenção por causa do crescente interesse em práticas de pós-consumo e conscientes”, completa. Em dezembro de 2014, havia 13,1 mil empresas do ramo em funcionamento no Brasil, número que evoluiu para 14,1 mil em 17 de outubro, sendo 1.623 empresas em Minas Gerais. Há 12 anos no mercado de usados, Raquel Fernandes, dona do Brilhantina Brechó, na Savassi, contabiliza crescimento de 8% a 15% ao ano.

“As pessoas compraram muito no passado com o crédito mais fácil e, agora, querem vender e recuperar o que gastaram”, diz a empreendedora. Para fidelizar a clientela num cenário de apelo à sustentabilidade do meio ambiente e necessidade de economizar, Raquel aposta em peças exclusivas e garimpadas no exterior a preços acessíveis. “Os brechós ajudam a movimentar a economia num momento em que é importante usar a criatividade para consumir”, afirma.

Para Filipe Belmonte, especialista em comércio eletrônico da área estratégica da Loja Integrada, a busca por uma fonte de renda extraordinária faz esse movimento aumentar mês a mês. “Diante da crise, fica o receio de adquirir um produto novo e as pessoas partem para o usado, que é mais vantajoso para quem busca economia”. Somente neste ano, segundo a empresa, o faturamento de lojas virtuais que comercializam produtos usados aumentou 375% em relação ao mesmo período do ano passado. “É um volume que nos impressiona. As lojas estão se especializando no e-commerce de nicho, que tem potencial de crescimento”, observa Belmonte.

Comércio eletrônico No país, o comércio de produtos usados cresce na esteira de um setor que movimentou R$ 39,5 bilhões no ano passado, alta nominal de 22% na comparação com 2013, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Para 2015, a expectativa é de alta de 22% em relação a 2014, num total de R$ 48,1 bilhões. “Em tempos de crise, o e-commerce ainda consegue se beneficiar da percepção do consumidor de que comprar on-line é sempre mais barato”, observa Mauricio Salvador, presidente da ABComm.

As empresas vêem potencial ainda para expansão do negócio, já que milhões de brasileiros acessam a internet sem nunca terem feito uma única compra on-line. “Em 2015, serão quatro milhões comprando pela primeira vez na internet. Esses dois fatores oxigenam o setor e reduzem o impacto da crise”, diz Maurício Salvador.A publicitária Thaís Veneroso conta que já comprou muitas vezes em brechós virtuais, mas que dá preferência para peças novas. “A vantagem é que esses sites também vendem peças novas pelo preço de usada. Às vezes, o vendedor usa apenas uma vez ou nem chega a usar. Vale a pena”, garante.

Espaço para negócio crescer

De olho num mercado de grande potencial, surgem mais sites que apostam no comércio virtual com canais e metodologias simples, mas, ao mesmo tempo, interativas. Basta fotografar, detalhar o produto, postar e esperar as propostas.

“Os produtos que são listados não são apenas itens de venda. Todos eles têm sua história. É possível sentir e perceber que, por trás da imagem, existe calor humano e uma emoção”, detalha Juliana Perlingiere, diretora de Planejamento Estratégico e Marketing do Enjoei, site que prega o desapego, com mais de 1,5 milhão de clientes cadastrados.

As fotos são produzidas pelos usuários, o que torna a experiência de navegação algo único, com um elemento “surpresa”, de acordo com a executiva. Com crescimento sustentável ano a ano, Juliana conta que o investimento anjo inicial para formalizar o negócio foi de R$ 300 mil em 2012 . “Em 2013 e 2014 recebemos fundos direcionados para alavancar o crescimento, somando um valor total de R$ 22 milhões”, afirma. As irmãs Gabriela e Daniela Carvalho, por sua vez, também colhem os frutos de um atraente mercado de consumo. Há quatro anos e meio, elas criaram o Peguei Bode, site de vendas on-line de peças seminovas. Mais conhecido por oferecer marcas de grife, a plataforma conta hoje com 30 mil clientes cadastrados.

“A crise não nos atingiu; pelo contrário, estamos na contramão dela, vendendo peças mais baratas que aquelas oferecidas pelas lojas físicas", diz Gabriela Carvalho. Segundo Leandro Soares, diretor de Marketplace do MercadoLivre Brasil, produtos usados são significativos dentro da plataforma de vendas on-line. No primeiro semestre deste ano, o aumento do comércio desses produtos foi de 145%, comparado ao mesmo período de 2014.Na empresa OLX, o volume de vendas cresceu 37% de março a agosto, informou seu presidente Andries Oudshoorn.

O executivo observa que recente pesquisa do Ibope indicou que, em média, os brasileiros – com mais de 16 anos – têm mais de R$ 1,8 mil em produtos usados em casa que poderiam ser comercializados pela internet. “Isso equivale a um potencial financeiro de R$ 105 bilhões em vendas de usados, o que é mais de três vezes o mercado de e-commerce no país em 2014", ressalta.

Todo o cuidado é pouco

Toda compra exige cuidados para evitar dor de cabeça e golpes. A coordenadora do Procon de Belo Horizonte, Maria Lúcia Scarpelli, alerta que, por se tratar de um produto usado, o consumidor não pode exigir a troca em razão de defeitos que não comprometerem o seu funcionamento. Segundo ela, antes de comprar, é preciso testar o produto, em caso de itens eletrônicos, e avaliar os defeitos, que são passíveis de ocorrer. “Geralmente, itens de segunda mão não costumam ter garantia ou possibilidade de troca”, explica.

Nas compras feitas pela internet, a atenção deve ser redobrada. No ambiente virtual, a venda de itens usados é permitida, desde que os produtos não sejam pirateados. “O lojista deve descrever a procedência da mercadoria, o tempo que ela foi utilizada, quais são suas principais funções e evitar comercializar produtos com defeitos, quebrados ou com preço igual ou superior à mercadoria nova”, conclui Adriano Caetano, especialista em comércio eletrônico e diretor da Loja Integrada.
Fonte: Estado de Minas - www.em.com.br
Tags: Consumo, Brechós, Crise econômica
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