Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015
Franquias em favelas podem ser mais lucrativas do que em bairros nobres Franquias em favelas podem ser mais lucrativas do que em bairros nobres
Cada vez mais as marcas buscam inserção, por meio de franquias, em zonas de menor poder aquisitivo das grandes cidades. Rio e São Paulo já partilham dessa realidade, que pode superar as expectativas e dar ao franqueado um bom mercado consumidor – refletindo, é claro, em bom faturamento.

A rede de escolas de idiomas Yes!, por exemplo, mantém uma unidade própria desde 2008 na Rocinha, no Rio de Janeiro. Segundo a empresa, a escola na maior favela da América Latina não ganha – mas também não perde em nada – na comparação com qualquer outra localizada na zona sul, que em tese levaria vantagem pelo público de maior renda.

Ambas as franquias trabalham com os mesmos valores de investimento inicial, taxa de franquia, expectativa de retorno e capital de giro.

As diferenças estão no custo do metro quadrado pago pelo franqueado no ato da instalação, no ticket médio e na demanda por alunos.

”Nas unidades como a da Rocinha, o valor dos cursos e o ticket médio acabam sendo menores, mas o franqueado recebe uma demanda maior de alunos”, afirma a empresa, que também opera na favela de Paraisópolis, em São Paulo.

Perto da favela pode dar mais dinheiro

Se em alguns casos a situação se equivale – como na Yes –, em outros, a franquia localizada na periferia pode ser até mais lucrativa, como nos casos em que o serviço vem suprir uma necessidade básicas não atendidas em uma determinada área.

É o caso da Sorridents, rede de clínicas odontológicas que tem unidades em vários locais, mas que foca nas classes C e D e tem melhor rendimento financeiro nas periferias.

O franqueado D’artagnan Alves, de São Paulo, tem na ponta do lápis a experiência prática no assunto. Sócio de uma franquia da Sorridents em Sapopemba, região com favelas, e na Mooca, bairro predominantemente de classe média, ele fatura mensalmente cerca de 5% a mais na unidade localizada na área de menor poder aquisitivo.

“As pessoas [em Sapopemba] não estão acostumadas a serem bem tratadas. Então, quando você monta um negório com padrão de qualidade, acaba virando ponto de referência.

Os clientes procuram por status até, falam como se fosse deles”, explica. Alves acrescenta que o fluxo de clientes é quase 35% superior em Sapopemba.

A diferença entre as duas regiões é bem acentuada. Enquanto a Mooca tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado “muito elevado” e uma renda mensal média em torno de R$ 4 mil, Sapopemba tem IDH apenas “médio” e abriga o cidadão que ganha, em média, aproximadamente R$ 1,3 mil ao mês.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), atualmente há três redes filiadas operando em favelas pelo País. Além da Yes! e da Sorridents, o guia de avaliação online Elefante Verde também tem penetração neste ramo ainda pouco explorado.

A expectativa para os próximos anos, de acordo com dados de fevereiro levantados pela ABF, é de que pelo menos seis redes queiram ampliar ou começar a atuação em favelas. Além das empresas citadas, o restaurante Espeto Carioca e a Odontoclinic miram mercados cariocas como Complexo do Alemão e Vidigal.
Fonte: iG São Paulo
Tags: Franquias, Favelas, Lucro, Bairros nobres
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