Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015
Varejo vira um negócio perigoso na Venezuela Varejo vira um negócio perigoso na Venezuela
O varejo está se tornando um negócio cada vez mais perigoso na Venezuela, país que enfrenta uma escassez aguda de produtos básicos, preços em alta e longas filas nas lojas.

Na semana passada, o diretor-presidente da cadeia de supermercados Día Día foi preso depois de uma reunião no palácio presidencial. Mais de 20 gerentes de lojas do grupo foram levados para interrogatório e todas as 35 unidades da rede passaram a ser controladas pelo governo.

As autoridades da Venezuela alegam que a Día Día e outras redes estão estocando alimentos em uma tentativa de gerar instabilidade e derrubar o governo.

As companhias negam a acusação. “Se você quer o apoio do setor privado, a melhor forma de consegui-lo provavelmente não é prendendo pessoas que estão saindo do palácio presidencial”, diz José Aguerrevere, fundador e sócio da cadeia de supermercados Día Día. Ele não foi preso.

Esse não foi o primeiro confronto recente do governo com os grandes varejistas. Neste mês, as autoridades prenderam vários gerentes da Farmatodo, maior rede de farmácias do país. O governo informou que, só no ano passado, prendeu mais de 20 executivos de empresas dos setores de alimentos e consumo e seus distribuidores.

O diretor-presidente da rede Día Día, Manuel Morales, foi acusado de sabotagem e de desestabilizar a economia do país.

A Venezuela convive com um agravamento da crise econômica. Os consumidores enfrentam a escassez generalizada de produtos com preços controlados, que vão de desodorantes até o leite. Os controles de preços e a estatização de empresas têm prejudicado a produção local. Além disso, o controle do câmbio provocou a escassez dos dólares necessários para as importações, segundo muitos economistas.

Para tentar liberar mais dólares para as importações, o governo anunciou ontem mudanças nas regras do câmbio, criando um novo sistema de compra de dólares. As novas regras garantem que a cotação mais baixa entre as três agora existentes no mercado, de 6,30 bolívares por dólar, será aplicada nas importações de alimentos e remédios.

Mas o governo culpa o setor privado pela escassez de produtos, alegando que as empresas estão propositadamente estocando mercadorias para enfurecer a população e desestabilizar o governo. O presidente Nicolás Maduro, ao anunciar que o governo estava assumindo o controle do supermercado Día Día, disse que a rede estava “promovendo uma guerra contra o povo”.

O governo já confiscou cerca de 25% do estoque da rede, dizem executivos da empresa, e parte dos seus cerca de 800 funcionários está preocupada com o seu futuro. Inspetores do Estado e forças de segurança já começaram a tirar o controle das lojas das mãos dos gerentes, diz Yohana Carrillo, de 23 anos, gerente de uma unidade no centro de Caracas. “Eles vieram aqui, nos insultaram e disseram que eles estão no comando. O que vai acontecer com a gente?”, pergunta.

Muitos empresários na Venezuela dizem que têm medo de falar em público porque, segundo eles, o governo os apresenta como vilões e traidores. Mas Aguerrevere diz que está falando publicamente na esperança de conseguir a libertação de Morales.

Aguerrevere afirma que também está tentando defender sua empresa. Ele diz que, antes da existência da Día Día, que tem 35 lojas em áreas pobres do país, a maioria das pessoas comprava alimentos em pequenos estabelecimentos cujos preços eram cerca de 30% mais altos do que os das grandes redes do país. Ele diz que busca oferecer à população mais pobre o mesmo preço oferecido aos ricos.

“Nós queremos ajudar a resolver a crise de alimentos do país”, diz Aguerrevere, que mora em Boston, nos Estados Unidos, desde que completou um curso de MBA na Universidade Harvard. “Mas é muito difícil cooperar quando [o governo] está colocando pessoas atrás das grades.”

Na semana passada, a ocupação do principal depósito da rede de supermercados por um grupo de altas autoridades e soldados do Exército foi transmitida pela televisão, após o governo afirmar que havia recebido reclamações sobre longas filas de consumidores nas lojas.

Enquanto a câmera exibia pilhas de produtos como farinha de milho, Diosdado Cabello, líder da Assembleia Nacional, acusava a empresa de manter os produtos em estoque em vez de oferecê-los às pessoas. “É realmente surpreendente ver tantos produtos aqui”, disse.

No mesmo dia, Morales e Luis Rodríguez, presidente da associação nacional de supermercados, a Ansa, foram chamados ao palácio presidencial para se reunir com o vice-presidente de Segurança e Soberania Alimentar, Carlos Osorio, diz Aguerrevere.

A reunião foi cordial, segundo ele. Eles apresentaram ao ministro documentos para explicar que a rede Día Día mantém estoques para três dias de vendas no seu principal depósito e este distribui os produtos para as lojas, que são pequenas e não foram projetadas para manter grandes estoques, diz Aguerrevere.

Mas, quando deixavam o local, membros da polícia secreta, a chamada Sebin, abordaram Morales e o prenderam. Quando o empresário perguntou de quem era a ordem, as autoridades disseram que era de Osorio, segundo Aguerrevere. O gabinete de Osorio não respondeu a pedidos de comentários.

Além do cargo de Osorio e do Ministério dos Alimentos, o governo criou uma nova agência, a Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos, para vasculhar os estoques das empresas. O governo hoje monitora os produtos desde os portos até as prateleiras dos supermercados.

“Não há um cenário em que o Día Día pudesse acumular estoques”, diz Luis Viloria, professor de economia da Universidade de Zulia, na cidade de Maracaibo. “Alimentos são monitorados passo a passo pelo governo. Esta é, simplesmente, uma forma de desviar a atenção das pessoas dos problemas do país.”
Fonte: The Wall Street Journal
Tags: Varejo, Perigo, Venezuela, Escassez, Preços altos
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