Mais clientes? Não, obrigado... Mais clientes? Não, obrigado...
Por Virgínia Fedrizzi

Por que será que quando do lançamento das coleções, observando as vitrines tem-se a sensação de que quase todas são filiais umas das outras? Basta visitar 4 ou 5 lojas para já se saber o que veremos em praticamente todas as outras. Parece haver uma repetição de modelos e cores que padroniza o olhar e reafirma esta constatação. Em seus lançamentos, nas feiras, os fabricantes até que trazem mais opções, mas algo ocorre no meio do caminho até a loja.

Será que os fabricantes não sabem vender suas idéias, ou são os representantes, que não estão envolvidos suficientemente? E os lojistas, estão preparados para entender e absorver o novo, o original? Afinal, como vai a comunicação entre esses públicos, intimamente ligados ao processo de divulgação e comercialização de novas idéias através da moda?

Tenho perguntado a várias pessoas e constatei que não só eu noto isso, mas que existe mais gente percebendo a mesma desatenção nas opções apresentadas. Afinal, onde fica a criatividade e a variedade da oferta de produtos ao consumidor? Por que todos parecem explorar sempre as mesmas idéias? Onde está a identidade dos produtos e do ponto de venda?

Se verificassem a quantidade de consumidores que acabam não comprando devido a esta absoluta escassez de opções, fabricantes e lojistas se encorajariam mais a arriscar o diferente, enfim, o novo. Talvez por não avaliarem as vendas que deixam de fazer é que não se interessem por conhecer mais de perto o seu "público-alvo", e até se acomodam em produzir e comercializar conceitos importados, criados para outros mercados.

O fabricante investe em viagens, pesquisas, compras, profissionais, novos materiais, sempre com o objetivo de surpreender. Mas ele realmente sabe o que produzir para o seu público? Será que ele recebe as informações necessárias deste público? Normalmente o que se observa é que todo aquele esforço de criação acaba praticamente desperdiçado, e os resultados estatísticos das feiras quase sempre confirmam os investimentos apenas em modelos básicos, ou seja, seguros para a venda.

Quanto ao esforço de criação, sabemos quem paga, mas quem é que compra? Os modelos que traduzem a nova estação são pouco valorizados e muitas vezes nem são apresentados no ponto de venda, sequer enquanto conceito. Já modelos mais criativos, estes muitas vezes são simplesmente ignorados... Abortados.

Até parece que os grandes produtores e distribuidores concentram-se tanto na diferença de preço para tentar conquistar o cliente, que acabam não percebendo que oferecem todos praticamente os mesmos produtos, quando aí é que poderia estar o seu maior diferencial. Falta a coragem de inovar, assumir as diferenças.

Vivemos num país que oferece espaço para múltiplos jeitos de ser, e isso é o que nos identifica enquanto brasileiros. Talento e criatividade não nos faltam, porém assumir novas posturas e investir em propostas concretas ainda não está sendo considerado com a devida atenção pela grande maioria. Esta criatividade desperdiçada poderia ser-nos muito útil para ajudar a revelar uma identidade própria no campo da moda. Somos fonte de inspiração para coleções dos grandes criadores internacionais mas poucos de nós conhecemos e sabemos explorar esta nossa riqueza. Por outro lado, o mercado globalizado é cada vez mais uma realidade e o que estamos fazendo para assumirmos o nosso próprio mercado?

Há uma massificação produzida por uma moda importada e um verdadeiro desperdício de potencialidades e apesar de se dizer que em moda tudo é permitido o difícil parece ser encontrar quem realmente acredite nisso e crie as possibilidades para que algo novo aconteça. Sair do "lugar comum" e olhar para outras oportunidades marginalizadas, ao invés de querer apenas competir por um espaço escasso, com uma oferta limitada em opções e originalidade.

Movimentos isolados evidenciam aqueles poucos que fazem uma moda mais "brasileira" como a São Paulo Fashion Week. Goiânia é outro exemplo de como se pode criar com uma identidade própria voltada às necessidades do nosso mercado, com soluções e iniciativas. Há todo um espaço a ser conquistado.

Temos que repensar nosso papel no mercado. É preciso que estejamos todos engajados. Afinal somos consumidores, também seremos beneficiados. Queremos que o cliente volte outras vezes por que seus desejos foram atendidos. Precisamos conquistar esta que é a principal fonte de informação capaz de reorientar todo este processo massificado que hoje temos e conhecer cada vez mais a nossa identidade.

Queremos trocar idéias, refletir, abrir novos canais de informação, com quem quiser partilhar experiências, enfim questionar o que está acontecendo na "nossa" moda.

Virgínia Fedrizzi
Consultora
E-mail: vfedrizzi@terra.com.br
Tags: Vendas, Varejo, Varejista, Consumo
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