Vender mais? Pra quê? Vender mais? Pra quê?

Por Regina Blessa

Sinta o drama:

Entro numa loja, vejo uma peça na vitrine, peço meu número, e pergunto:

- Onde eu posso experimentar?

Resposta: - Não pode!

- Como assim, não pode?

Resposta: - Ou leva assim ou não leva.

Parece ficção? Não, pura realidade.

Tem coisa que nestes tempos de vacas magras, não dá mesmo para entender. Numa pesquisa essa semana na região da Rua José Paulino, em São Paulo, descobri que consumidor por lá é coisa que absolutamente não interessa. Se já fabricam a moda que querem, se vendem pelo preço que dá, se tem muitos lojistas que os procuram, prá que perder tempo com consumidores de varejo?

Essa deve ser a filosofia dos novos ricos lojistas coreanos que tomaram a região do Bom Retiro na última década. As lojas que só vendem no atacado e tem uma plaquinha na vitrine com essa informação estão trabalhando conforme seu padrão, sem problemas. Mas existem as lojas que vendem no "atacarejo" que são a maioria, e que estão sofrendo da síndrome do "ataque ao varejo".

Se existe um bom mercado varejista na região e se existe abundância de peças para esse canal, por que maltratar seus consumidores? Imagine você entrar numa loja, gostar de uma peça da vitrine, pedir o seu tamanho e não poder experimentar?

Imagine querer experimentar um vestido colante de noite e ouvir uma frase assim:

- Ponha por cima da roupa... (e você cheia de agasalhos)

Imagine pior do que isso:

Posso experimentar? Não! E por cima da roupa? Também não!

Uma outra loja me pareceu ainda pior: Sem placa de atacado na porta, entrei na loja vazia onde duas balconistas sentadas, "coçavam" sem fazer nada e pedi para ver uma peça da vitrine. A balconista me deu aquela olhada e perguntou: - É varejo? Ah... varejo só de sábado!

Olhei para a dona "coreana padrão" (cabeça baixa atrás do balcão) e fiquei olhando a balconista que tirou a peça da minha mão e voltou a se sentar esperando que eu me retirasse. Eu não acreditei no que estava acontecendo naquela loja vazia.

Simplesmente, não dá para entender! Estão todos na contramão da história. Enquanto nos shoppings estão nos laçando no corredor, tem gente que não quer vender. Atender bem para quê? Provador, nem pensar! Nem dez por cento das lojas tem um.

Se tais lojas vendem no varejo, se fazem liquidação, se fazem vitrines, e se pretendem vender suas peças (sobras ou não de coleções) que atendam direito. Resolvam se vão trabalhar no atacado ou, atendam bem no varejo.

Se os antigos proprietários da José Paulino (da colônia judaica) migraram para os shoppings atrás da massa de consumidores, por que os coreanos (atuais proprietários) não aproveitam a onda de procura da população por produtos com preços melhores, para vender mais no varejo, já que os shoppings estão vazios?

Esperamos que a nova geração de filhos de coreanos (que já são brasileiros) e que já melhoraram "muito" as vitrines e o estilo da moda da região, aprendam também a tratar bem os consumidores de varejo, senão teremos que esperar pela invasão boliviana, pois estes, latinos que são, costumam ser bem mais interessados em vender.

Se as lojas de "atacarejo", não aprenderem a respeitar todos os tipos e classes de consumidores nos dias de hoje, não poderão reclamar no futuro, se só receberem consumidores C e D em suas lojas. Se tantos povos ganham dinheiro com a moda brasileira, de geração em geração que tal começarmos a atender melhor este coitado do consumidor brasileiro?

Regina Blessa
Vice-Presidente do Popai Brasil, consultora especializada em ponto-de-venda e autora do livro Merchandising no Ponto de Venda.



Tags: Marketing, Varejo, Varejista, Rede varejista
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