A revolução do WAP no Brasil A revolução do WAP no Brasil
Por Cláudio Lenga de Goldberg

A Internet nos trouxe a um mundo globalizado, sem fronteiras e de compartilhamento de informação. Agora é hora de combinar esta disponibilidade e este acesso à informação com a funcionalidade de mobilidade.

Recente pesquisa divulgada pelo IDC (International Data Corporation) apontou que o mercado de dados por celular na América Latina, incluindo WAP (Wireless Application Proctocol) e os serviços de mensagens curtas (SMC ou SMS), deverá movimentar em torno de U$ 4,2 bilhões em 2004. Ainda segundo Lain Gillott, vice-presidente mundial detelecomunicações do mesmo instituto, nos próximos dois anos o número de acessos sem fio à Internet deverá superar as conexões via PC, embora uma modalidade não deva excluir a outra, pois o tipo de uso e o perfil de usuários são evidentemente diferentes.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou em outubro deste ano os números referentes à planta nacional de telefonia móvel, cujo total é de 20,8 milhões de assinantes. E, conforme o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a previsão é de chegar até 2005 com cerca de 60 milhões de celulares no Brasil, incluindo também as novas bandas C, D e E, a serem licenciadas. Não resta dúvida de que o impacto em um futuro próximo desta tecnologia nos negócios e hábitos da sociedade devem ser considerados pelas organizações que buscam se manter competitivas em seus planos de negócios e estratégias de Tecnologia da Informação.

Num mercado extremamente competitivo e com poucas oportunidades para diferenciar serviços básicos, é necessário oferecer serviços customizados para adicionar valor ao negócio das operadoras. Isto quer dizer que criar e educar uma sociedade móvel conectada a www é prioridade e palavra de ordem nas operadoras, pois uma comunidade wireless impactará positivamente sobre duas premissas estratégicas delas: a queda da receita média e a presença no mercado do comércio eletrônico sem fio (m-Commerce), bem como a agressão com a chegada de novos competidores e outros players nas bandas C, D e E.

Desta forma, estamos assistindo a uma verdadeira corrida das operadoras de telefonia celular, com grandes investimentos para implantar a plataforma WAP, um conjunto de protocolos e especificações para capacitar os aparelhos celulares com suas limitações de tamanho de tela e ausência de cores a navegar pela Internet, apostando no crescimento do tráfego de dados e no apelo moderno dos serviços que ela poderá agregar para ampliar o número de clientes e fidelizar a base atual. Mas será que esta movimentação todarealmente faz sentido? Antes de comentarmos os aspectos pertinentes a essa questão (potencial e obstáculos), é necessário conceituar os fundamentos em que se baseia o este novo mundo.

O primeiro a se destacar é a conveniência, um atributo que caracteriza os terminais móveis. Eles estão sempre à mão, ou seja, a mobilidade funciona como um condutor dos serviços prestados, como por exemplo, a minha agenda do dia, a rota mais rápida que devo tomar no trânsito, onde almoçar, quais eventos a cidade tem a me oferecer etc.

Outro fundamento importante é a localização. Sua aplicação adiciona valor aos aparelhos móveis. Sabendo onde o usuário está locado fisicamente e em um momento particular, pode se ter o caminho para oferecer relevantes serviços ou ofertas de transações. Por exemplo, se uma pessoa está chegando no aeroporto, podemos enviar uma mensagem perguntando se ela precisa de hotel ou traslado. Se uma pessoa estiver passando diante de um shopping, pode-se enviar uma mensagem sobre alguma promoção nas lojas em tempo real.

O conceito de personalização significa prestar informações específicas e pertinentes para o usuário do aparelho, entregando informações atuais, pessoais e num formato amigável. Através do uso de software específico, as operadoras podem combinar as informações geradas pelo sistema WAP (menus navegados, serviços utilizados etc.) com os CDRs (call detail records) que dão detalhes de cada chamada, como número discado, tempo de duração, em que células passou durante a ligação etc.

E, além de tudo isso, temos o conceito de comunidade, que se refere à natureza humana de se organizar socialmente. Ele busca a segregação por grupos dentro do conceito de comunidades, como jovens, terceira idade, executivos de negócios, grupos GLS e outros.

Devemos levar em consideração que as principais características dos protocolos WAP foram projetados levando em consideração que o usuário não dispõe de teclado e a quantidade de bits a ser transmitida é pequena, uma vez que as redes de celulares atualmente têm uma limitação de velocidade entre 9,6Kbps e 14 Kbps.

A nova face do setor de telefonia móvel trará uma grande reformulação com a chegada da segunda geração no mercado nacional. Em 2001 teremos a entrada do padrão GSM (Global System for Mobile), que será adotado nas novas concessões das bandas C, D e E, baseado na tecnologia GPRS (General Packet Radio Service). Isso tornará possível a transmissão de dados (IP) e conexão em velocidades superiores, provavelmente em torno de 56 Kbps.

Então, o WAP será submetido a um teste de mercado. Além disso, existe a possibilidade de evolução do GPRS para o padrão EDGE (Enhanced Data for Global Evolution), que opera a velocidades de 144 Kbps, no final de 2001, quando teremos sofisticados serviços que extrapolam as ofertas de voz, como a transmissão de imagens.

Por fim, teremos as redes de 3G com aplicações de alta velocidade (até 2Mbits/s) para grande quantidade de usuários simultaneamente, que estarão disponíveis no Brasil em meados de 2003 utilizando o padrão UMTS (Universal Mobile Telecommunications System). Esta é a plataforma móvel preferida para distribuir os futuros serviços de alto conteúdo e aplicações agregados, pois tem o apoio da maior parte das grandes operadoras e fabricantes de telecomunicações. Depreende-se, pois, que estamos em meio a uma revolução que começou com a introdução dos serviços de WAP e a tecnologia GPRS, complementada pelo acesso aos serviços de IP.

Diante deste cenário de revolução e evolução, temos o aparecimento de novos paradigmas sobre novos serviços, modelos de negócios e formas de remuneração. Faz todo o sentido nos perguntarmos: Como os operadores de telefonia celular vão ganhar dinheiro fora dos serviços baseados em WAP? Quais os caminhos de forma de remuneração com os provedores de conteúdo? Quais as aplicações "killer" (de sucesso) os desenvolvedores vão ofertar ao mercado? Como se dará o faturamento (billing) da informação IP?

(continua: Parte II)

Cláudio Goldberg
Gerente de negócios para telefonia móvel da DBA Engenharia de Sistemas

Tags: Marketing, Varejo, Varejista, Internet
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