• Setembro de 2017
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Franca reduz participação da indústria na maior feira calçadista do país

O número de empresas de Franca (SP) que participarão da Feira Internacional de Moda em Calçados e Acessórios (Francal), maior evento do gênero da América Latina, que começa nesta terça-feira (15) no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, será menor, pelo segundo ano consecutivo. Segundo o Sindicato da Indústria Calçadista (SindiFranca), a cidade estará representada por 43 empresas, contra 60 no ano passado e 64 em 2012. O presidente do Sindicato, José Carlos Brigagão do Couto, explica que a queda é resultado do atual cenário econômico brasileiro, que deve durar até dezembro, com reflexos no início de 2015.

Couto afirma que a população, de modo geral, está com receio de assumir novas despesas. Os motivos seriam o endividamento das famílias, o direcionamento de gastos para produtos relacionados à Copa do Mundo e a proximidade das eleições presidenciais, marcadas para outubro e que costumam provocar retração nos investimentos industriais. “A indústria prefere manter um pé no freio e aguardar quem será eleito. Tudo isso se soma à conjuntura econômica internacional, que também passa por problemas”.

Por outro lado, o presidente do sindicato afirma que as expectativas para o evento não são totalmente ruins, já que a Francal antecipa tendências para o final do ano. “A partir de outubro, as compras já são direcionadas para o Natal. E a Francal pode ser vista com um termômetro para o resto do ano”.

A Francal é considerada o principal evento para lançamento das coleções primavera-verão de calçados da América Latina. A feira, que, em 2014, realiza sua 46ª edição, reúne mais de três mil empresas, de toda a cadeia nacional do couro e do calçado, com produtos voltados a lojistas brasileiros e a importadores. A expectativa dos organizadores é receber 60 mil visitantes de cerca de 70 países.

Mercado externo

Para manter o otimismo, Couto aposta em novas saídas para o mercado calçadista, como o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), programa do Governo Federal que prevê a devolução, às empresas exportadoras de manufaturados, de um percentual da receita obtida com as vendas, compensando-o por tributos indiretos. No último dia 18 de junho, o Ministério da Fazenda anunciou que o incentivo, que havia sido cortado, será recriado e poderá se tornar permanente.

Com isso, as empresas francanas esperam ampliar as fronteiras internacionais, que respondem, hoje, por menos de 10% da comercialização de calçados fabricados na cidade. As exportações previstas para este ano são de 3,5 milhões de pares, de uma produção total estimada em 37,3 milhões – 1,2 milhão a menos que as projeções iniciais, feitas no começo do ano. “A conjuntura acabou fazendo as empresas reduzirem suas produções e demitirem funcionários”, diz Couto.

Por isso, os desafios de posicionamento internacional serão grandes, segundo ele. Primeiro, é preciso enfrentar a concorrência cada vez maior do mercado asiático, que tem ampliado sua entrada inclusive no Brasil. Em segundo lugar, está a necessidade de retomar as contratações, que também estão caindo.

Dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que, de janeiro a maio deste ano, o saldo de contratações nas indústrias francanas foi de 5.794, contra 8.054 no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 28%. Se for levado em conta apenas o mês de maio, foram 159 demitidos a mais que o número de contratados - no mesmo mês de 2013, foi registrado um saldo positivo de 486. É a primeira vez em nove anos, segundo o sindicato, que Franca registra índice negativo.

Fonte: G1