Conheça a trajetória de Elizangela Kioko, diretora geral da Drogaria Onofre Conheça a trajetória de Elizangela Kioko, diretora geral da Drogaria Onofre
Especial Mês da Mulher 

Segundo pesquisa da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres ganham em média 73,7% do salário recebido pelos homens. Infelizmente, ainda são poucas as que chegam a ocupar cargos de liderança, e as que chegam, dificilmente ganham o mesmo valor pago para um homem que ocupa a mesma função. Essa reflexão se torna ainda mais presente e necessária no mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher - 8 de março.
Muitas barreiras ainda precisam ser ultrapassadas pelas mulheres no mercado de trabalho, porém algumas conseguiram vencer os obstáculos e hoje podem se considerar casos de sucesso, exemplos para outras que estão começando ou para as que estão buscando seu lugar ao sol. 

Uma delas é Elizangela Kioko, diretora geral da Drogaria Onofre, rede que possui atualmente 47 lojas em 5 estados do país. A empresária possui uma história de desafios e vitórias. Em referência ao mês da mulher, nossa redação conversou com ela. Confira abaixo.

Varejista - Como foi o início de sua carreira? 

Elizângela - É uma longa história... Sou de uma família de origem humilde. Meus pais se separaram quando eu tinha 11 anos. Minha mãe só sabia ser dona de casa na época e acabou ficando sozinha com 5 filhos em fase de adolescência e infância, sem ter condições financeiras para criar. Então, todos nós começamos a trabalhar muito cedo, eu com 13 anos em um parque de diversões, como operadora. Depois trabalhei como operadora de caixa numa loja no Brás, onde mesmo imatura, acabei assumindo a gestão de duas lojas da rede. 

Nessa época estávamos em grandes dificuldades financeiras. Foi quando aconteceu a primeira grande mudança na minha vida. Era 1991, meu pai morava no Japão com a esposa dele. Na época muitas famílias iam morar no Japão em busca de emprego, com salários melhores, buscando mudança de vida no Brasil. E foi isso e eu e meu irmão fizemos. 

Morei no Japão por 6 anos. Trabalhei como faxineira de hotel e por último como operária de fábrica de peças para automóveis. Retornei ao Brasil em 1996. Nessa época eu não sabia sequer ligar um computador e ainda não tinha finalizado a 8ª séria do ensino básico. Voltei rapidamente a estudar e até hoje, nunca mais parei. Precisei me desenvolver profissionalmente, ao mesmo tempo em que estudava e formava uma família. 

Primeiro comecei a fazer pequenos trabalhos em casa, elaborando currículos e digitando trabalhos de faculdade, depois trabalhei em uma casa lotérica. Eu morava em Uberlândia na época. Comecei a trabalhar como atendente bilíngue espanhol, onde cheguei ao cargo de supervisão.

Aqui aconteceu a segunda grande mudança na minha vida. Fui trabalhar na Farma Service, uma empresa do grupo Martins. Escolhi dar um passo para trás em busca de experiência. Comecei como auxiliar de logística e tive uma passagem pela área de controladoria. Fui transferida para São Paulo para assumir a área de transporte e gestão de risco, assim tive a oportunidade de trabalhar em todas as áreas de logística. Trabalhando com foco em gestão de estoque, me aproximei muito dos fornecedores e da equipe de vendas. Eu fazia questão de participar de todas as reuniões de vendas e levar oportunidade de produtos que precisavam ser "desovados". 

Aqui aconteceu a terceira grande mudança na minha vida. Um americano, diretor da Colgate, conheceu de perto o trabalho que eu fazia com gestão de estoque e me indicou para assumir a área de trade marketing da Farma Service. 

O curioso é que eu nem sabia o que era trade marketing. O Alair Júnior, proprietário da Farma Service, me fez uma proposta e eu decidi assumir a área. Fui treinada dentro da Colgate. 

Acabei liderando por um tempo uma das equipes de vendas de São Paulo, e atendia as grandes contas na área de trade marketing. Foi quando o diretor da Drogaria Carrefour, Oscar Bastos, me convidou para fazer parte do seu time comercial. Eu aceitei e comecei como gerente de produto, depois de um tempo sendo promovida a gerente de categoria. Depois de quase três anos, um gerente de trade da Hypermarcas me convidou para assumir a área de trade canal. Apesar de ser um passo atrás em relação a cargo, como eu precisava de uma experiência em indústria, decidi correr o risco. Montei todo o time de trade canal do canal farma da Hypermarcas e fui promovida a gerente executiva de trade categoria. 

Por fim recebi um convite do Mário Ramos para assumir a diretoria comercial da Onofre, uma empresa em grandes transformações. Reestruturamos todo o comercial. Logo após assumi também a área supply e operações de lojas. Mário então assumiu uma área estratégica na CVS nos Estados Unidos e me convidou a assumir a presidência da Onofre. 

Varejista - Você sentiu alguma dificuldade por ser mulher? Se sim, como superou esses obstáculos?

Elizângela - Primeiro eu gostaria de dizer que nunca dei muita importância a esses obstáculos. Eles surgiram sim, diversas vezes, mas eu não tinha muito tempo para lamentar. Depois no Japão, que na época era um país extremamente machista. Mulheres faziam exatamente o mesmo trabalho operacional que os homens, com remuneração 30/40% mais baixa e isso era transparente.Esses dias me dei conta que só tive uma chefe mulher na minha vida profissional. Em todas as empresas que tive oportunidade de trabalhar, quanto mais alto o nível de gestão, menor o número de mulheres ocupando cargos. Nas duas últimas empresas que trabalhei, meu chefe e meus pares eram todos homens. Eu sempre fiz questão de me sentir à vontade com eles e deixá-los totalmente à vontade comigo. Buscar igualdade requer ter tolerância a ser tratada como igual, sem melindres, sem cuidados especiais, sem censura. 

Varejista - Para você, ser uma profissional bem-sucedida é...

Elizângela - Escolher o time certo e reconhecê-lo, ser uma boa ouvinte, ser sensível para identificar e administrar conflitos, assumir riscos calculados, saber priorizar e manter o pensamento positivo.

Varejista - Uma mulher que a inspira e por quê:

Elizângela: Malala Yousaf-zai, ela representa a força de uma menina desafiando a cultura de um país, correndo todos os riscos, para ter o direito de simplesmente estudar. 

Varejista - Qual você considera ser o diferencial de uma liderança feminina no varejo? 

Elizângela - A empatia de se colocar no lugar do outro, tanto colaboradores, quanto clientes e fornecedores. Também a sensibilidade para identificar e lidar com pessoas. 

Varejista - Olhando para trás, faria algo diferente em sua carreira?

Elizângela - Sim, eu teria investido em estudos no Japão e teria morado nos Estados Unidos.

Varejista - Que conselho daria para as jovens que estão iniciando a carreira hoje e que querem alcançar o sucesso?

Elizângela - Meu conselho é que se preparem tecnicamente e emocionalmente, equilibrando força e sensibilidade. Quem deseja igualdade, precisa estar disposta a ser tratada com igualdade. Sejam resilientes!

(Ludmilla Botinelly - Redação Portal Varejista)
Tags: Dia internacional da mulher, Mulheres bem sucedidas, Casos de sucesso, Entrevista, Elizangela kioko, Drogaria onofre
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