Como transformar conflito em cooperação Como transformar conflito em cooperação
Por Antonio Luiz Mendes de Almeida Júnior

Cada vez mais a competição acirrada, de forma predatória, e a necessidade por resultados imediatos provocam uma verdadeira revolução nas relações inter-pessoais. Muitas pessoas já perderam a noção do que é um convívio saudável e simplesmente se concentram em chegar na frente a qualquer custo. Como conseqüência natural surgem diversas arestas que podem comprometer o bom relacionamento dentro das empresas.

Algumas das mais comuns são: não conseguir enxergar honestamente o ponto de vista do outro e pensar que estamos certos o tempo todo; dificuldade em aceitar as diferenças existentes sem querer "formatar" a outra pessoa ao nosso jeito; não prestar atenção nos outros, não saber ouvir com empatia e atenção e cultura por resultados a qualquer custo. Desta forma acabamos criticando e condenando as idéias dos outros a maior parte do tempo, eliminando assim qualquer possibilidade de cooperação.

Nós temos o hábito de criticar mais ou de elogiar mais? Criticar é muito fácil e não custa nada. Elogiar exige, no mínimo, observação, autoconfiança e o desejo verdadeiro de contribuir para o crescimento da pessoa.

Como escreveu Dale Carnegie em seu bestseller Como fazer amigos e influenciar pessoas, mais atual do que nunca após sessenta anos: "a crítica é fútil, porque coloca um homem na defensiva, e, comumente, faz com que ele se esforce para justificar-se. A crítica é perigosa, porque fere o precioso orgulho do indivíduo, alcança o seu senso de importância e gera o ressentimento".

Muitos dizem: "São críticas construtivas!"; ora, críticas são críticas e nada mais. Também não estou dizendo que devemos a partir de agora sermos todos "zen" e não criticarmos mais nada. A forma com que abordamos as diferenças é que leva às divergências, conflitos e falta de cooperação entre as pessoas. Ficam ressentimentos muitas vezes insuperáveis.

Este é um lado que devemos considerar e investigar. O dia-a-dia nos apresenta inúmeros sinais de como o "clima" está na empresa. Quando temos um ambiente onde existem muitos conflitos, pouca cooperação, baixa motivação e comprometimento e a produtividade está em queda ou constante no mesmo patamar, ou ainda algum desses fatores isolados, podemos imaginar que existe alguma dificuldade na comunicação e na gestão do dia-a-dia, pois não é para ser assim.

Muitos gerentes possuem o foco na parte técnica, nos processos, e pouco nas pessoas pois a sua formação é essencialmente técnica e pouco comportamental e assim, querem mais controlar do que liderar. Querem é mandar e demitir, pois isto é fácil de fazer. Difícil é conduzir uma gestão que reconheça e desenvolva a capacidade das pessoas e contribua para a melhoria do ambiente de trabalho e produza resultados efetivos e duradouros.

Acredito que mudar a mentalidade do técnico para o comportamental e/ou desenvolver habilidades mais comportamentais como: conseguir trabalhar em equipe, comunicação, venda de idéias, elogiar e não somente punir, lidar com os conflitos de forma positiva, liderar, e outras, é o que os gestores de hoje deveriam buscar, pois assim o ambiente de trabalho vai melhorar, a cooperação entre as pessoas vai crescer em função da mudança de atitude e, com isso, a produtividade das equipes aumentará. A conseqüência é que os resultados nos negócios tendem a subir.

O mais importante é que uma vez que se tenha identificado alguma questão a ser trabalhada, é fundamental a existência de um plano de avanço e comprometimento para segui-lo, pois só assim, com ação e compromisso, é que as coisas mudam e evoluem. Caso contrário, continuamos falando e falando sobre as questões e nada fazemos para mudá-las.

Muitas pessoas perguntam, será que é possível reverter um quadro ruim de relacionamento? Para revertermos uma fragilidade no relacionamento, seja pessoal ou profissional, precisamos primeiro "querer" fazer isso. Precisar só não basta, pois não durará muito tempo, quando a necessidade passar, voltaremos a fazer do mesmo jeito. Quando realmente queremos, as coisas acontecem.

Para isso temos que mudar a nossa atitude. Pergunte-se: Eu preciso mudar essa relação? Eu quero mudar essa relação? Eu posso fazer algo para transformar esta situação? Eu vou fazer isso?

Se a resposta for positiva para as quatro perguntas, estamos preparados para mudar e reverter o quadro. Sem a nossa mudança de atitude, não há mudança nos relacionamentos. É muito fácil querermos mudar o outro, quando na verdade, temos que começar por nós mesmos.

É importante termos bem claro que devemos buscar harmonia e bom convívio sem perder a noção de que onde não existem conflitos, não há evolução, não há transformação. O conflito, de forma simples, é algo que supostamente separa duas opiniões em torno de um mesmo assunto. Eu penso uma coisa, você pensa outra. Existe um conflito de opiniões e o desdobramento mal conduzido disso pode ser catastrófico para a relação e para a empresa.

Quando não existe conflito, quando duas pessoas concordam sobre o mesmo assunto, muitas vezes pode significar uma tremenda mesmice, é melhor deixar como está do que "brigarmos" por uma mudança. Este sentimento é fatal para uma equipe. Quando mudamos a nossa ótica de enxergar os conflitos, estamos prontos para reverter à situação e transformá-la em cooperação. O que você pode se perguntar neste momento é, tudo bem, concordo, agora, como faço isso?

Uma dica é começar a ficar mais atento com as suas atitudes e gestos e antes de criticar uma idéia, uma opinião de outra pessoa, pare e pense: O que eu faria se estivesse na situação dessa pessoa? Desta forma, com uma análise sincera e ponderada, conseguiremos ver um pouco mais o ponto de vista do outro e assim diminuiremos cada vez mais as nossas criticas que não ajudam a obter a cooperação e ainda provocam ressentimentos nos outros e, em várias situações, em nós mesmos.

A forma como lidamos com o conflito é que faz toda a diferença. Todo conflito apresenta uma oportunidade de enxergarmos o ponto de vista do outro e percebermos se faríamos o mesmo caso estivéssemos no lugar dele. Se agirmos assim, os conflitos começam a ter um lado extremamente positivo, pois podem ser ótimas oportunidades para mudança de percepção, inovação na empresa, cooperação entre as pessoas e, principalmente, estímulo para que aconteça maior sinceridade nas relações inter-pessoais.

Antonio Luiz Mendes de Almeida Júnior
Sócio-diretor da Dale Carnegie Training Rio. Atua como consultor da área de gestão de pessoas e planejamento estratégico para as mais importantes empresas brasileiras.

Tags: Gestão, Varejo, Varejista
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