Carreira executiva: o feminino do masculino Carreira executiva: o feminino do masculino
Por Renato Bernhoeft

Por esta você não esperava: Como se não bastassem as profundas mudanças que a globalização provocou no mundo do trabalho, e especialmente na carreira de muitos executivos, agora também surge esta informação. Ou seja, uma das exigências da empregabilidade no mundo atual das empresas é que a linguagem do trabalho está sendo feminilizada. Segundo o ex-secretário do Trabalho americano, Robert Reich "as qualidades que costumavam estar associadas ao trabalho das mulheres - flexibilidade, adaptabilidade, préstimo e trabalho de equipe - estão hoje sendo exigidas dos homens. O trabalho descontínuo e incerto está se tornando muito mais difundido. Além disso, como a segurança está vindo cada vez mais da empregabilidade num mercado de trabalho fluido, e não do fato de se ter um emprego permanente, as mulheres parecem estar mais bem preparadas cultural e psicologicamente."

Vale registrar que esta é apenas uma das constatações interessantes e dignas de reflexão que podem ser extraídas do livro "Depois do sucesso - Ansiedade e identidade" do sociólogo inglês Ray Pahl, e publicado no Brasil pela UNESP em tradução de Gilson César Cardoso de Sousa.

A atualidade deste trabalho para a nossa realidade decorre do fato que ele foi escrito no ano de 95 tendo como base os impactos do período Thatcher. Nesta fase o liberalismo inglês privatizou boa parte das suas empresas e criou novos padrões de sucesso para as organizações dispostas a sobreviverem num mercado globalizado e mais competitivo. A entrada das mulheres no mercado de trabalho, e particularmente em postos de supervisão e gerência ao longo da década 80 exigiu delas uma forte adaptação à realidade masculina que caracterizava o mundo organizacional. Naquela época. E elas tiveram que fazer isto conquistando seu espaço sem muitas concessões. Menos ainda sem poder abdicar das suas responsabilidades "femininas". Cuidar dos filhos, atender um marido exigente e administrar a casa. E tudo isto sem perder feminilidade e sensualidade.

Mas o mundo mudou. E na Inglaterra especificamente pela mão de uma mulher batizada de "dama de ferro" as mudanças foram radicais e velozes. Especialmente para os padrões da classe média britânica.
 
Segundo os pesquisadores Finch e Mason as mulheres na década de 80 "tinham mais probabilidade do que os homens de precisar desenvolver conjuntos de compromissos recíprocos com parentes porque ainda estavam na condição de serem "aquinhoadas" com a responsabilidade maior de cuidar dos filhos e administrar um lar". O fato novo é que esta exigência não está mais limitada às mulheres. Também os homens precisam desenvolver compromissos recíprocos num meio social e econômico mais turbulento. "E eles podem não ter as habilidades ou experiência que sua parceira ou a mãe ausente de seus filhos acumularam no passado".

A própria questão do "capital humano" que tem sido muito difundida como nova ferramenta de sucesso na carreira já não está exclusivamente associada ao velho conceito de um "emprego para toda a vida." Ele deve ser visto como algo muito mais abrangente e flexível, pois ao longo de uma vida profissional deveremos mudar de identidade várias vezes. E isto para muitos executivos masculinos é algo difícil. Dirão alguns, inclusive, impossível. Pois foram educados dentro de uma idéia de lealdade à empresa e dedicação total à carreira profissional. Seu conceito de sucesso está baseado nestas premissas, que privilegiaram o mundo do trabalho.

Mas é exatamente nisto que o trabalho do sociólogo Ray Pahl coloca sérias dúvidas quando diz que "as economias tornam-se mais e mais dependentes do capital humano especializado e Know-How específico de trabalhadores altamente qualificados, por isso uma proporção crescente da força de trabalho procura maximizar os seus ganhos tornando-se consultores independentes em vez de empregados assalariados. Muitos pequenos negócios fracassam e muitos consultores mal ganham para viver, mas parece haver pouca dúvida de que a carreira segura do ganha-pão masculino está em declínio. As reestruturações organizacionais aumentaram de 10% para 20% entre 1988 e 1992 na Inglaterra." E isto criou uma profunda insegurança. Muito maior para os executivos masculinos do que para as mulheres que fizeram carreira desempenhando outros papéis, tanto na família como na comunidade.

Valem então algumas questões para sua auto-avaliação quando pensa nas novas exigências para continuar tendo sucesso na carreira.

- Estou preparado para criar outras identidades além do "sobrenome organizacional"? - Tenho estrutura para administrar eventuais fracassos na carreira? - Todas minhas fontes de realização estão, exclusivamente, vinculadas ao trabalho? - Tenho compartilhado com meu parceiro(a) as responsabilidades e conquistas pessoais e profissionais? - Tenho uma visão de futuro que não me impede de desfrutar o presente? Existe equilíbrio no sucesso que obtenho como profissional, cônjuge, pai/mãe, amigo?

Finalmente, observe as perspectivas da sua carreira não mais como um processo sempre ascendente. Ela pode também ser horizontalizada em função de um conjunto de interesses determinados pelo seu momento de vida. E também pelas fases de vida daqueles que compartem com você afeto e carinho. E neste assunto temos muito que aprender com a intuição, sensibilidade e capacidade de viver várias identidades das mulheres. Então poderemos todos compartilhar também da música que nos alerta para o feminino do masculino.

Renato Bernhoeft
Consultor de Empresas, presidente da Bernhoeft Consultoria e membro do FBN - Family Business Network


Tags: Gestão, Varejo, Varejista, Carreira
Aguarde...
Popularidade: 5 (1 Votos)
01/11/2016 - O Varejo consegue pensar simples?
17/01/2017 - A Era do Líder Coletivo
21/03/2017 - A que distância você está do líder que você gostaria de ser?
17/03/2017 - Conheça a trajetória de Elizangela Kioko, diretora geral da Drogaria Onofre
Texto da Busca:
Data Inicial:
Data Final:
                   
liderança sucesso crise econômica relacionamento treinamento planejamento habilidades atendimento ao cliente varejista gestão equipe empreendedorismo supervisão atendimento negócios varejo vendas franquias dicas carreira

Notícias | Artigos | Motivação | Cases | Feiras | Links | Newsletter | Cadastre-se | Calendário do Varejo | Twitter | RSS | Fale Conosco
© 2017 Copyright Varejista.com.br. Todos os direitos reservados. - Site: SGP Infront